Surf
em Sergipe
Segundo
Robson Fraga (2004), o surf em Sergipe foi introduzido
na década de 60, quando um grupo de amigos
sergipanos, que moravam e estudavam em Salvador,
foram apresentados ao esporte novo que tinha há
pouco tempo chegado por lá. Até
então, o único conhecimento que
se tinha sobre o surfe era através de filmes
havaianos e revistas especializadas.
Nessa
época, o surfe estava se espalhando pelo
Brasil e, ano após ano, chegavam mais pranchas,
sendo cada vez mais aperfeiçoadas. Em meio
a essa ascensão do surfe, o sergipano Paulo
Tavares, que residia em Salvador, por influência
dos amigos, estava tendo os primeiros contatos
com o esporte. Enquanto isso, o baiano Lourenço
Valadares trouxe do Havaí uma prancha Longboard
fabricada com fibra de vidro, medindo 3m e só
com uma quilha . Lourenço vendeu essa prancha
para seu outro amigo sergipano que morava em salvador,
chamado de Ubiracê Aragão. A partir
desses dois personagens, o surfe começou
a ser introduzido em Sergipe.
Fraga
(2004) relata que por volta de 1966, Paulo Tavares,
em férias, voltou para Aracaju trazendo
em sua bagagem um longboard fabricado em Salvador,
transportando-o em cima de um Fusca. Nesse momento,
quando ultrapassava as fronteiras do estado com
sua longa prancha de madeira, dava-se inicio a
prática do esporte no estado, sendo Paulo,
o primeiro surfista a deslizar nas ondas da praia
de Atalaia.
Um
ano depois, vindo também de Salvador, Ubiracê
Aragão chegava em Aracaju com a sua prancha
comprada de Lourenço. Naquela época
era muito difícil transportar as pranchas,
pois, elas eram muito grandes e pesadas, além
disso, Paulo residia no centro da cidade, ficando
um pouco longe da praia e dificultando o transporte
das longas madeiras.
Segundo
Fraga (2004) Agostinho Cardoso, que era amigo
de Paulo e, morava na praia, disponibilizou sua
casa para que ele deixasse o Longboard lá,
facilitando a vida do amigo. Com o problema do
transporte resolvido, ele começou a treinar
mais, levando com sigo em suas caídas no
mar Agostinho. Fraga (2004) complementa que com
o inicio das aulas, e o fim das férias,
Ubiracê e Paulo retornaram para Salvador,
onde moravam, só voltando a Aracaju um
ano depois, nas férias do colegial. Enquanto
isso, Agostinho continuou surfando sozinho por
quase três anos.
No
início da década de 70, Ivan Leite
retornava para Aracaju, vindo de São Paulo,
trazendo consigo um Longboard comprado em Santos.
Chegando em Aracaju, Ivan começou a praticar
o esporte com alguns amigos. Nessa época
só existia a parafina como acessório
para a prática do surf, dando aderência
na prancha e facilitava o equilíbrio sobre
ela. Os surfistas nesse tempo tinham que ser ótimos
nadadores, pois, não existia ainda a “cordinha”
que segurava a prancha.
Fraga
(2004) relata que com o maior conhecimento do
esporte, o número de praticantes em Sergipe
aumentava e, cada vez mais o surfe rompia barreiras
e se diversificava. Ainda na década de
70, Ubiracê volta para Aracaju e ganha de
presente um carro dos pais. Esse carro foi o responsável
pelas primeiras viagens a procura de ondas em
lugares ainda não surfados. Sentindo a
necessidade de algo que segurasse a prancha na
hora que caíssem das ondas, eles fabricaram
suas próprias cordinhas, com soro de borracha
e um fio de nylon dentro.
Segundo
Fraga (2004) em 1974, Agostinho foi para Salvador
e comprou um “bloco de poliuretano”
. Ao voltar para Aracaju ele começa a shapear
o bloco por conta própria, com um ralador
de coco, fabricando a prancha com grande habilidade.
Depois de sua primeira experiência, Agostinho
gostou e chamou os irmãos Ricardo Black
e Edney para ajuda-lo na produção.
Assim, surgiu a primeira fábrica de pranchas
do estado, com o nome E.R.A, que eram as iniciais
dos nomes deles.
Fraga
(2004) complementa que depois do surgimento dessa
fábrica, começaram a aparecer outras,
o que fez com que o surf no estado crescesse cada
vez mais. Em 1976, acontecia em Aracaju, promovido
pelas pranchas Gledson’s, o primeiro campeonato
de surfe sergipano, tendo a presença do
famoso surfista Rico de Sousa. Na época,
Rico tinha o patrocínio da TV Globo e das
Pranchas Glebson’s, onde viajava pelo Brasil
divulgando-as.
Bobô
Cruz, trouxe do sul do país os primeiros
acessórios de surfe, industrializados para
comercializar com o pessoal de Aracaju, trazendo
também shorts e bermudas de marca de surfe.
Segundo
Fraga (2004) em 1978, foi realizado por Kleiber
e Bobô, o primeiro campeonato organizado
por sergipanos. Com o nome de 1° Surf Contest
de Aracaju, o campeonato foi realizado em janeiro
do mesmo ano e teve como vencedor o surfista Américo
da Cabana.
Ainda
em 1978 foi fundada a primeira Associação
Sergipana de Surfe, tendo como presidente Ubiracê
Aragão, vice-presidente Marcos Monteiro,
diretor Zé Ivan e diretor de publicidade
Nairson Menezes. Nos dias 9 e 10 de junho de 1983,
a associação realizou o primeiro
campeonato, sendo divulgado em jornal e na televisão.
Da
década de 80 até os dias atuais,
o surfe sergipano veio ocupando um grande espaço
na cultura esportiva do estado, tendo um grande
número de praticantes, sendo o esporte
radical mais praticado em Sergipe. Hoje, existem
lojas especializadas no segmento, como a Litoral
655, Altas ondas, Maralo, entre outros e atletas
que representam muito bem o estado em outras cidades,
como Valmir Neta e Bruno Marujinho.