História do surf
 
Surf no Brasil

Segundo Camarão (2003), o surfe no Brasil teve início através do americano Tom Blake, que na década de 30 do século 20, diminuiu o peso e as dimensões das pranchas, entrando para história como inovador do surf antigo.

Cecília (2003) relata que esse novo modelo de prancha, fabricado por Blake, foi publicado em uma revista americana no ano de 1937. Em 1938, a revista chegou as mãos dos jovens santistas, Osmar Gonsalves, João Roberto e Sylvio Malzoli, através do pai de Osmar, que era exportador de café e trouxe dos EUA a revista, chamada Popular Mechanic. Nela havia o projeto dizendo como se fazia uma prancha de surf, e quais os materiais utilizados para a construção da mesma. Eles resolveram então, através da revista, construir uma prancha com a ajuda de familiares e amigos. Essa então, seria a primeira prancha de surf do Brasil.

Ainda segundo Cecília (2003), com a ajuda do engenheiro naval Julio Putz, eles produziram uma prancha que pesava 80 quilos e media 3,6 metros, oca e costurada com parafusos de latão. Sylvio Malzoli nunca surfou nessa prancha, apesar de ter ajudado a construir, Osmar e João surfaram por vários anos no Guarujá, em Santos. Só nos anos 50, o pioneirismo desses jovens foi descoberto.

Na década de 50, o surf chegou ao Rio de Janeiro com os cariocas Jorge Grande, Bizão e Paulo Preguiça, que construíram uma prancha de madeira inspirados nas pranchas de balsa que um piloto comercial americano da rota Hawaii-Rio, trazia em suas viagens. Convém salientar que, essas pranchas não tinham flutuação nem envergadura, dificultando execução de manobras. Em 1962, enquanto no Rio o Sr. Moacir criou uma técnica para dar envergadura aos pranchões, em São Paulo, Homero Naldinho, com 14 anos, fazia suas madeirites que mediam apenas 2,2m.

Na verdade, o surf no Brasil sempre teve influências estrangeiras. Os “gringos”, sempre que viam ao Brasil, davam dicas sobre como surfar melhor, faziam demonstrações de surf e traziam mais conhecimento sobre o esporte, com isso contribuíam para a evolução e mudanças no surf brasileiro.

Roberto Prince (1999) relata que nos anos 60, com a necessidade dos surfistas terem pranchas menores e com mais flutuação sobre as ondas, foi fundamental fazer uma reformulação nas pranchas, deixando-as mais modernas. Nessa época começaram a ser construídas as primeiras pranchas em fibra de vidro.

Segundo Fernandes (2001) em 1965, Cel Parreiras, fundou a primeira fabrica de pranchas do Brasil, que se chamava São Conrado Surfboard. Na fábrica, situada na cidade do Rio de Janeiro, Cel adaptou para o shape uma técnica usada no aeromodelismo, depois de colocar curva na longarina , usava-se um fio quente para cortar o fundo e o deck , acompanhando a curva da longarina, em seguida cortavam o autline e dava o acabamento.

Ainda em 1960, um brasileiro chamado Penho, em sua primeia viagem ao Havaí, trouxe uma mini model, modelo de prancha que revolucionava o designer das pranchas e substituía definitivamente os pranchões nas décadas seguintes.

Fernandes (2001) complementa que na década de 70, o surf cresceu muito, e a moda naquela época era shapear a própria prancha. Surgiram então muitos nomes no Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio veio Bocão e Betão, Pepê Lopes e Jorge Pritman, Lype Dylong, entre outros. Em São Paulo, Guto Navarro Eduardo Argento, Flávio La Barre, Longarina, Paulo Rabello, etc.

Nessa década os praticantes do surf também tinham uma nova cara, um novo estilo. Eram jovens com cabelos compridos, corpos atléticos e saudáveis, além de usarem roupas bem despojadas. A partir de então, o surf se popularizou muito, e não parou mais de crescer em todo o Brasil.


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