Surf no mundo
De origem incerta os primeiros relatos sobre o surgimento
do surfe assumem que ele foi introduzido no Hawaii
pelo o rei tahito, conhecido por Moiheka. Mas oficialmente
o primeiro fato concreto que revelou a existência
do esporte foi feito pelo navegador James Cook,
que descobriu o arquipélago do Hawaii em
1778 e viu os primeiros surfistas com suas madeiras
flutuantes deslizando sobre as ondas.
Na
época, o navegador James Cook gostou muito
do esporte considerando-o uma atividade relaxante
e uma ótima forma de lazer, mas a Igreja
Protestante e diversos missionários protestantes
que habitavam o Havaí, não tiveram
a mesma opinião, desestimulando então,
a prática do esporte por mais de 100 anos,
o que correspondeu a todo o século XVIII.
Originalmente praticado somente pela realeza havaiana,
os reis fizeram do surfe um ritual religioso e cultural,
onde agradeciam aos deuses as farturas da terra
e do mar. O esporte também era usado como
condição de posição
hierárquica, onde os reis tinham privilégios
na prática do surfe, podendo só eles,
surfar em pé. As pranchas dos reis também
eram mais aperfeiçoadas e, construídas
através de rituais. O surfe só foi
liberado aos plebeus, por um decreto assinado pelo
rei Kamehameha ( Hawaii).
Acerca
deste período, Bastos (1987), relata claramente
a fabricação das pranchas na era primitiva.
Assim:
os
nativos havaianos possuíam um ritual religioso
para a fabricação das pranchas. Uma
vez escolhida a arvore, o ritual era iniciado. Colocava-se
ao pé do tronco um peixe vermelho chamado
Kumu e a arvore era cortada. Nas raízes era
feito um buraco onde, com uma oração
era enterrado o Kumu. Em seguida era o trabalho
de modelagem do shape; as ferramentas eram lascas
de pedras e pedaços de coral granulado e
um tipo de pedra bem dura. Era iniciado o trabalho
de acabamento para eliminar todas as marcas da fase
anterior e tentar alizar a superfície da
prancha o Maximo possível. Com a superfície
lisa, eram aplicadas raízes de arvore, para
dá cor negra. Outras substancias eram utilizadas
para impermeabilizar a madeira como forma de encerrá-la.(
Bastos, Guia Floripa 2001).
Até o início do século 20,
o mundo não tinha idéia do que era
o Hawaii, muito menos o surfe. Mas isso não
demoraria muito tempo.
O
reconhecimento mundial do esporte veio através
do campeão olímpico de natação,
o havaiano Duke Paoa Kahanamoku, ao vencer os jogos
de 1912, em Estocolmo, quebrando o recorde mundial
nos 100 m estilo livre e, ganhando uma medalha de
prata no revezamento 4 x 200. Na ocasião
o atleta declarou ser um surfista, afirmando que
sua forma de treinamento era baseada na prática
do surfe. Duke passou a ser o maior divulgador do
esporte no mundo mostrando que em sua ilha os nativos
adoravam o esporte. Com isso, ele fez o mundo conhecer
o surfe e o surfista da praia de Waikiki. Esta foi,
provavelmente, a primeira vez que o mundo ouviu
falar do Havaí e do surf.
Após
a vitória nas Olimpíadas, Duke fez
viagens pelo mundo e mostrou o esporte para outros
países e nesse século, Duke Kahanamoku
levou o surfe para a Califórnia e Austrália,
tornando-se o 1.º embaixador do surf mundial.
Anos
mais tarde, nas olimpíadas de Antuérpia,
Duke já com 30 anos, provou ser novamente
o nadador mais rápido do mundo, ganhando
mais medalhas de ouro. Ele deixou para o mundo o
embasamento do que hoje é o surf moderno,
sendo ele, considerado como o “pai do surf”.